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Unidos da Lona Preta faz um canto pela humanidade e pela reforma agrária

4 de março de 2011

Enredo da Unidos da Lona Preta para o Carnaval deste ano é "Plantar o pão, colher a vida: para o mundo se alimentar sem veneno". Um canto pela humanidade, pela reforma agrária, justiça e sobernaia alimentar. Uma posíção crítica e contrária aos transgênicos, os agrotóxicos e o agronegócio. A escola de samba do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) desfilará nesta sexta-feira, 4, na região da Grande São Paulo, em Jandira.

A escola foi fundada em 2005 com o objetivo de fazer um festejo compromissado com a luta. E através dessa organização para o Carnaval, inicia-se um processod e formação que envolve samba, literatura e política, onde joveens de assentamentos e da vizinhaça da Comuna Urbana particia das atividades.

A Unidos da Lona Preta não faz samba-festinha, faz samba-luta. E mais que uma escola de samba, é uma organização crítica ao/do Carnaval. "Para além desta forma diferente de composição do samba, o processo de construção do carnaval da Unidos da Lona Preta é, como um todo, diferente do processo de confecção desfile das escolas de samba atuais, que é alienado e alienante".

Desfile da escola
A concentração é na Comuna Urbana Dom Helder Câmara, a partir das 19h, na Rua Nicolau Maevski, 491, Bairro Sol Nascente. (Informações do site do MST)

Leia também:
Unidos da Lona Preta, uma batucada do povo brasileiro

Tocantins: Militante de direitos humanos é torturado e morto

3 de março de 2011

O militante Sebastião Bezerra, 40 anos, foi encontrado na madrugada de domingo, 27, enterrado na área de uma fazenda no município do Dueré, Estado do Tocantins. Seu corpo tinha marcas de violência e tortura em várias partes. Sebastião atuava no Centro de Direitos Humanos de Cristalândia e era  representante regional do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH).

Relatos de militantes dos centros de direitos humanos detalham que Sebastião teve alguns dedos das mãos quebrados, dedos dos pés arrancados e havia sinais de agulhadas sob as unhas das mãos. Ele teria sofrido "asfixia por estrangulamento" como causa da morte. "O crime foi cometido com requintes de crueldade", declarações de militantes.

Despedida
O velório e enterro de Sebastião na segunda-feira, 28, em Araguaçu (TO),  teve a presença dos familiares e amigos da cidade e militantes dos Centros de Direitos Humanos (CDHs) do Estado, Movimento Estadual de Direitos Humanos (MEDH) e de outros movimentos. No final da missa,  membros dos CDHs fizeram homenagens com testemunhos da atuação de Sebastião e leram poesias, como também, buscaram levar solidariedade e força para os familiares.

Nota do MNDH
É com o mais profundo pesar e a mais profunda consternação que o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) registra o assassinato, no Estado de Tocantins, do advogado Sebastião Bezerra da Silva, coordenador do Centro de Direitos Humanos de Cristalândia (TO) e secretário do Regional Centro-Oeste do MNDH.

Sebastião Bezerra da Silva foi torturado antes de ser morto e o assassino ou os assassinos tentaram enterrar apressadamente seu corpo.

Neste momento de dor e de pesar, o Movimento Nacional de Direitos Humanos vem solidarizar-se com a família de Sebastião Bezerra da Silva e com todos os seus companheiros do Regional Centro-Oeste do MNDH.

Desde o momento em que soube do acontecido, o MNDH vem acompanhando pormenorizada e intensivamente as informações a respeito do assassinato.

Confiamos que as autoridades policiais do Estado de Tocantins realizem um trabalho diligente na apuração dos fatos, e confiamos, igualmente, na transparência das investigações para que este crime contra um defensor dos Direitos Humanos não fique impune.

Brasília-DF, 28 de Fevereiro de 2011.

Coordenação Nacional do MNDH

Vivências de realidades mudam opiniões e estabelecem diálogos

9 de junho de 2010

Estudantes de Direito da Universidade Federal do Tocantins (UFT) visitaram o assentamento Pe. Josimo, localizado próximo ao município de Nova Rosalândia, Estado do Tocantins, e conhecerem a história da conquista da terra, a organização das famílias e a luta do MST. Entre as muitas perguntas feitas pelos estudantes aos assentados, existia uma grande preocupação: mesmo com tantas dificuldades, os assentados eram felizes onde estavam? Nicolina, morada do assentamento, logo tirou essa dúvida, “eu amo meu lugar”.
Após algumas horas de debates e troca de experiências, um dos temas ressaltados foi o tratamento que os grandes veículos dão as notícias relacionadas ao MST. Alguns acadêmicos ressaltaram a forma injusta que a história de famílias e a luta pela terra são noticiadas para a sociedade. Uma das assentadas explicou que falta consciência por parte da sociedade sobre o conceito da propriedade privada, e que o MST busca discutir este tema, mas a mídia impede o diálogo.
Os estudantes ficaram impressionados com a clareza política dos assentados e como resistiram dois anos na beira da BR-153 para conquistar um pedaço de chão. Mas também, aprenderam que para essas famílias a luta não terminou e que continuam a debater o modelo agrícola do Brasil e defendem que outras pessoas devem ter acesso a terra. Estes acadêmicos tiveram a oportunidade de entender que a Reforma Agrária vai além da distribuição de terra, é uma mudança da estrutura social.

Os futuros bacharéis deixaram o assentamento com outra visão do MST. Conheceram suas ações, a forma de se organizarem e, principalmente, a legitimidade da luta deste movimento. Porém, o fundamental foi os estudantes deixarem o assentamento com a convicção de que a luta pela terra é justa. Uma minoria dos visitantes passará a militar no MST, talvez nenhum faça isso, mas a maioria terá mais sensibilidade em lidar com os assentados, posseiros, acampados, os camponeses, como também, terão outra visão dos movimentos sociais.