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Adeus Domitila, revolucionária boliviana

2 de abril de 2012


 A líder revolucionária e feminista da Bolívia, Domitila Barrios de Chungara, faleceu no dia 14 de março aos 75 anos, em Cochabamba. Ela vinha de uma longa luta contra o câncer de pulmão.




por Pablo Stefanoni, tradução de Vinicius Mansur/Carta Maior 

Revolucionária, combativa, feminista... Ontem abundaram os adjetivos para definir esta líder das donas de casa mineiras que no final dos anos 70 venceu uma queda de braço contra o temido general Hugo Banzer Suárez. Depois de uma longa luta contra o câncer de pulmão, Domitila Barrios de Chungara faleceu nesta quarta aos 75 anos em sua humilde casa em Cochabamba e o governo Evo Morales lhe entregou postumamente o Cóndor dos Andes.

Chungara deixou sua marca no gênero testemunhal: em 1976 a educadora brasileira Moema Viezzer gravou suas experiências e publicou “Se me permitem falar..." , que terminou de projetar esta mulher convidada como única representante das trabalhadoras à Tribuna do Ano Internacional da Mulher, reunida no México em 1975. A esta altura, ela já tinha vivido e resistido ao chamado massacre de San Juan em 1967, sob as mãos do ditador René Barrientos, o general que ordenou a morte de Ernesto Che Guevara.

Pouco depois - em 1977- iniciaria a emblemática greve em frente à Arquediocese de La Paz demandando eleições e anistia, o que rapidamente se multiplicaria por milhares e obrigaria Banzer a sair do poder. Esteve presa, deportada e exiliada, a última vez sob a narco-ditadura de Luis García Meza nos anos 80, o militar que publicou faz alguns anos a autobiografia “Eu ditador” .

A vida de Domitila Chungara foi marcada pela mineração: nasceu no século XX e se criou em Pulacayo, lugar famoso pelas teses trotskistas que nos anos 40 convocaram à organização de um governo operário-camponêso. Se formou lutando contra os aumentos do açúcar e do arroz, e pelo abastecimento das mercearias mineiras. Podia brigar com as feministas “ricas” do norte na tribuna das Nações Unidas defendendo a agenda das mulheres operárias do sul. Ou desafiar coronéis e generais a partir dos microfones da poderosa rede de rádios mineiras até que os soldados viessem a destruí-las.

Em 2005 a ex-líder das donas de casa denunciava que “a burguesia sempre foi brutal, mentirosa e ladra” e que “ainda é possível fazer uma revolução” porque “as injustiças não serão para sempre”. No fim desse ano, festejou o triunfo de Evo Morales e do MAS, ainda que tenha levantado dúvidas sobre seu caráter “revolucionário” e destacado a falta de formação de seus militantes. De fato, um tempo antes, havia levado adiante a Escola Itinerante de Formação Sindical e até organizou um movimento guevarista. Mas os tempos haviam mudado. Ficaram para trás os anos dos mineiros heróicos que discutiam sob a terra as teses de Trotsky e, por via das dúvidas, faziam oferendas ao “Tio”, divindade andina encarregada de protegê-los dos acidentes.

Em 2007, foi condecorada por Evo Morales junto com outras quatro mulheres mineiras que acenderam a faísca que acabou com a ditadura. E, finalmente, sua figura ficou não tanto no panteão da revolução como no da conquista das liberdades democráticas que a esquerda começou a revalorizar no final dos anos 70.

13 anos de lutas fortalecendo as mulheres trabalhadoras

10 de março de 2011

Escrito por Bernadete Aparecida Ferreira
Fundadora e coordenadora político-pedagógica da ONG Casa Oito de Março.


Quando olhamos para essa mocinha chamada Casa Oito de Março, que agora completa 13 anos, e é uma das pioneiras nascidas em Palmas – TO lembramos da forma como ela nasceu.
Um bebê inicialmente indesejado, cuja mãe, madrinhas e parteiras foram despejadas com a maldição de que ela não vingaria sem a proteção do pai ou do marido.
O nascimento da Casa Oito de Março foi como o de tantas meninas largadas, vítimas do machismo, do preconceito, da inveja e do abandono. Ei-la aqui, de pé, resistindo, cumprindo sua missão dia-a-dia, sem fechar suas portas como Entidade, nem como espaço de acolhimento diuturno das mulheres em situação de vulnerabilidade, migrantes que por aqui passam e tantas outras situações em que se faz ideologicamente necessário.
O mais legal é o protagonismo dessa mocinha que batalha, se vira, consegue mesmo com tão pouco mostrar o quão profundo é o seu interior e, ao mesmo tempo, consegue ter os pés bem no chão, fincados nessa terra de sonhos, encantos e desencantos.
A menina dá trabalho, pois não é fácil educar menina-mulher em um lugar tão machista, onde valores éticos são tão duvidáveis. O saldo é positivo e temos clareza de que escolhemos corretamente as vias metodológicas para educação dessa menina: educação popular; feminismo do cotidiano; economia solidária; ética pastoral; protagonismo dos sujeitos; trabalho de base, de campo; a trilha no lugar dos largos e sedutores caminhos da direita neoliberal, do capitalismo e do patriarcado.
Como mãe forjada no direito de decidir e no serviço cotidiano; forjada na bíblia da libertação, no catecismo da autonomia e nos jejuns da não-violência; entendemos perfeitamente o que fazemos quando decidimos trilhar nossas lutas imersas no feminismo de práxis cotidiana; tendo o encantamento diário de ver desabrochar novas idéias, novos movimentos, novas formas de lutas, de conquistas de direitos e novas visões e constatações de que todas nós mulheres somos capazes de transformar o mundo, começando do espaço pequeno, do privado, indo até os grandes espaços públicos onde as hierarquias e os poderes hegemônicos masculinos não nos deixavam chegar. E por incrível que pareça o principal desses espaços era e sempre foi o da casa. Com nossa práxis invertemos o papel da Casa... ela é espaço de libertação das mulheres, de lutas e batalhas feministas intensas e muito justas. Aqui tornamos lutas de algumas em lutas de todas.
Nossa mocinha ainda vai longe e é sempre uma surpresa vê-la desabrochar; é sempre penoso sofrer suas crises e é sempre de lavar a alma sentir seu alçar vôo de fênix, de águia preparada cada dia para altos vôos e para a permanência na aldeia onde nasceu.
Menina, que eu tanto amo, Feliz aniversário! Feliz adolescência.

PSTU, neste 8 de março, fala da luta das mulheres arábes

8 de março de 2011


Em tempos difíceis... de pura monotonia... Ousaremos teimar!

Compartilho uma poesia enviada pelo companheiro Antônio Marcos, nesta manhã, que fala do significado da luta das mulheres. 









Em tempos difíceis

Em tempos difíceis... de pura monotonia...
Impactos Constantes!
Temeremos a morte?
Não temeremos a morte, porque a vida já nasce matada!
Sementes sem vida... Transgênicos!
Monoculturas da fome... Agronegócio!
Comidas envenenadas... Agrotóxicos!
Porque gritamos?
Por que sentimos em nossa carne a expropriação da vida...
O cheiro da morte...
O gosto da acumulação privada.
Em tempos difíceis... de pura monotonia...
Gritamos porque não somos qualquer mulher,
Somos mulheres da classe trabalhadora,
E olhamos à frente...
Conspirar...
Lutar para mudar!
Não calarão o nosso grito,
Nem o balançar de nossas bandeiras...
Em tempos difíceis... de pura monotonia...
Ousaremos teimar!

Escrita por Bia Carvalho

História de Aurora: militante e guerrilheira

6 de fevereiro de 2011

Regatemos a história de uma companheira lutadora, Aurora Maria Nascimento Furtado foi militante da Ação Libertadora Nacional (ANL), guerrilha urbana, liderada por Carlos Mariguella. Antes foi militante do movimento estudantil, responsável pelo setor de comunicação da União Estadual dos Estudantes de São Paulo, estudande de Psicologia na USP.

Aurora foi presa dia 9 de novembro de 1972, no Rio de Janeiro. Segundo relatos, foi torturada desde o momento de sua prisão, inclusive na presença de várias pessoas que se aglomeravam ao redor da cena. Ela foi conduzida para a Invernada de Olaria, onde foi novamente torturada nas mãos de policiais e integrantes do “Esquadrão da Morte”.

Aurora viveu os mais terríveis momentos nas mãos daqueles carrascos, que além dos já tradicionais pau-de-arara, sessão de choques elétricos, somados a espancamentos, afogamentos, queimaduras, aplicaram-lhe a “coroa de cristo”, ou “torniquete”, que é uma fita de aço que vai gradativamente sendo apertada, esmagando aos poucos o crânio.

No dia 10 de novembro, Aurora morreu em conseqüência dessas torturas. Seu corpo chegou ao IML/RJ como ‘desconhecida. Após prendê-la e torturá-la, jogaram seu corpo crivado de balas na rua. A versão oficial divulgada pelos órgãos de segurança era de que a morte de Aurora seria conseqüência de uma tentativa de fuga, quando era transportada na rádio-patrulha que a prendera. Ao tentar fugir, Aurora teria sido baleada e morta.